quarta-feira, agosto 03, 2005

Agosto "mes do Cachorro Louco". Será?

Sérgio Toshihiko Eko
A década de 70 e 80 traz recordações tristes das perseguições que os cães e gatos sofreram devido à raiva. Muitos foram sacrificados. As pessoas ficavam apavoradas de verem animais com sintomas da doença.
Quem já viu um cão raivoso, jamais esquece. De início aparece à angústia, excitação, salivação excessiva, procura a fuga e o isolamento; evolui para a agressividade e passa a morder o que encontrar pela frente. Em outros casos, procura se esconder, principalmente da claridade, as pernas começam a paralisar e tem dificuldade para engolir os alimentos.
Felizmente, já faz mais de vinte anos em nossa região que não temos casos de raiva em cães e gatos. Hoje estamos com este tipo de doença animal controlada. Mas, quando falamos do restante do país, a situação se modifica e preocupa.
Recentemente no norte do Brasil tivemos surto de mortes de pessoas por raiva transmitidas por morcegos hematófagos. No nordeste, convivem mortes de pessoas, cães e gatos por raiva. No país inteiro, há mortes de vacas, suínos e cavalos por raiva transmitida por morcegos hematófagos. Apesar da nossa região há tempos não ocorrerem casos desta moléstia, estamos susceptíveis a ela, e a vigilância é a arma preventiva mais segura. A saúde pública está alerta a esta situação e presta orientações às pessoas que forem agredidas por animais; encaminha material animal ao laboratório nos casos duvidosos e observa os cães suspeitos.
A campanha de vacinação maciça contra a raiva canina no Paraná está limitada aos municípios que fazem fronteira com o Paraguai, devido à presença da enfermidade neste país. No restante do Estado, o protocolo indica a vacinação regional somente nos casos de surgimento de focos. A entrada da raiva em nossa região pode ocorrer por animais portadores oriundos de outros estados ou de países vizinhos. A raiva é uma doença letal, e o aparecimento dos primeiros sinais clínicos é grave e tardio, e só resta aguardar a morte de uma forma sofrida e terrível, tanto no ser humano como nos animais.
A ação de controle preventiva da raiva humana é extremamente importante. Começa quando a pessoa sofre agressão (por mordida ou arranhão) do animal, que de imediato deve lavar o ferimento com água e sabão. Em seguida procurar o posto de saúde para avaliar o caso. Não deixe para depois, a rapidez no atendimento imediato a mordida (ou arranhão) é extremamente importante. Sobre o animal agressor, deverá ser observado por dez dias para ver se desenvolve alguns sintomas nervosos e comportamentais. Qualquer diferença comunique o posto de saúde.Quanto ao morcego que invade a casa, procure vedar as entradas e não entre em contato direto com este animal. O cão e o gato é o melhor amigo do homem e continuará sendo.
Precisamos apenas respeitar certas regras de convivência. Cuide bem do seu animal, não abandone! A crença popular que relaciona agosto como mês do "cachorro louco" é porque nesta época concentra mais cadelas em cio, aglomeram animais e ficam mais agitados, o que facilita a transmissão da doença. Mas, a preocupação é o ano inteiro.
(O autor é médico veterinário sanitarista, bacharel em direito efuncionário público do Estado na 12ª Regional de Saúde.)
sereko@brturbo.com.br

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